sexta-feira, 14 de março de 2014

Downshifting: Simplicidade Voluntária

O texto abaixo, traduzido por mim, traz uma solução velha e nova, revolucionária e absolutamente óbvia. Um texto ótimo que nos faz pensar, refletir, repensar.




Downshifting: Simplicidade Voluntária
De Thoreau aos hippies dos anos 60, não há nada novo em relação a abandonar os bens materiais e tentar viver da terra, mas a nova onda do momento são os seguidores do movimento de simplicidade voluntária, radicais em sua falta de radicalidade.
By Kirsten Dirksen
Eles não estão abandonando a sociedade e, na verdade, nem pertencem a um movimento, mas mais e mais pessoas estão decidindo fazer o “downshift” (reduzir a marcha); em vez de abrir mão de carros, trabalho e da trocar a vida na cidade em busca de uma uma vida idílica no campo (embora alguns estejam), os downshifters estão simplesmente lutando contra a praga dominante do hiperconsumo e da dívida que tem forçado tantas pessoas na sociedade ocidental que trabalham feito loucos. Estão reclamando seu tempo de volta.
Quando uma tv de tela plana se torna uma “necessidade”
Quando um carro, ar condicionado residencial, um celular e uma tv de tela plana se tornam “necessidades” para se viver (acordo com 91%, 70%, 49% and 5% de estado-unidenses que responderam a pesquisa, respectivamente) e uma casa de campo ou praia é considerada necessária para se ter uma “boa vida” (de acordo com um terço dos entrevistados), não é difícil entender porque as horas de trabalho por dia continuam a crescer.
Essa informação não é nova, mas na década passada só piorou; entre 1970 e 2020, os americanos aumentaram o número de horas de trabalho em 20% e na década passada o percentual de americanos que consideravam o microondas uma necessidade dobrou para 68%. Sem mencionar o grupo infeliz de escravos do trabalho, que consideram uma tv de tela plana e um iPod uma necessidade (5% e 3%, respectivamente).

Quanto mais ganhamos, mais precisamos
Quanto mais nosso salário aumenta, há sempre alguma novidade a mais que precisamos. Embora os ingleses ganhem três vezes mais que seus pais, cerca de 60% dos entrevistados – e cerca de metade no grupo dos mais ricos – afirmam que não podem comprar tudo que precisam. Na Austrália, apesar de também ganharem três vezes mais que os pais, dois terços disseram a mesma coisa.


Quanto mais ganhamos, mais gastamos

Um estudo feito pelo US census group descobriu que quanto mais ganhamos, mais gastamos: aqueles que ganham menos de $70,000 ao ano gastam, em média, $31,737, enquanto aqueles que ganham $150,000 (ou mais) – gastam uma média de $118,674. “Em quantidade de dólares, o grupo que ganha $150,000 ou mais gasta mais por cada item examinado do que aqueles que ganham menos de $70,000.

Enquanto 3 a cada 4 americanos entrevistados afirmaram que sentem a pressão para gastar mais, cerca de metade disse que estariam dispostos a trocar um dia de descanso por um dia de trabalho. E muitos estão, de fato, fazendo isso.

Downshifting é ter menos dinheiro e mais tempo

No passado, a reação a este estado de trabalho excessivo era a de “sair fora”, de abandonar a “corrida de ratos” de uma vez, mas hoje, em vez de mudar drasticamente suas vidas mudando para o interior e viver do que a terra dá, o mais novo grupo de pessoas que querem simplificar a vida encontraram uma opção menos radical: diminuir sua carga de trabalho.
Seja abandonando seus trabalhos atuais por um com menos horas ou simplesmente renegociando com seus patrões, é estimado que há cerca de 12 milhões de downshifters na Europa, outro milhão na Austrália e vários milhões nos Estados Unidos. Normalmente eles reduzem a carga de horas trabalhadas por um pagamento menor, mas há outras formas de downshifting, tais como:
·         Locais de trabalho flexíveis – uma mistura do teletrabalho e trabalhar do escritório
·         Horas flexíveis – normalmente adaptado aos horários pessoais, como crianças e esposos.
·         Horas comprimidas – trabalhar um certo número de horas por um curto número de dias
Horas anuais – trabalhar um total de horas durante um ano, em vez de por semana
·         Trocar para trabalhos de meio período
·         Dividir o trabalho – dividir em dois um trabalho normalmente feito por uma pessoa e dividir o pagamento, férias e outros benefícios
·         Rebaixar-se pedindo um trabalho menos qualificado com menos horas e menor pagamento.

Uma nova classe social
Mais de um quarto dos ingleses em idade adulta – entre 30 e 59 escolheram mudar para um trabalho com salário menor para poder passar mais tempo com suas famílias. Clive Hamilton, o autor deste estudo, afirma que sua pesquisa aponta para uma nova classe social, que “conscientemente rejeita o consumismo e as aspirações materiais”.
De acordo com esta pesquisa, cerca de 60% dos downshifters tem crianças pequenas e a maioria é motivada pelo desejo de assumir controle de seu próprio tempo. “Eles fazem isso por causa da excessiva busca pelo dinheiro e materialismo chega ao custo substancial de suas próprias vidas e das vidas de suas famílias”.
Voce está pronto para reduzir a marcha? Para fazer o downshift?
Uma das mais conhecidas figuras deste não-movimento é a britânica Tracey Smith, organizadora da Semana Nacional do Downshiftign, que afirma que esta mudança não é para todos. “O “por que” não deve ser simplesmente uma forma de escapar de algo, mas uma mudança positiva em busca de algo. Não pode ser como uma eleição na qual votamos para certo partido político, não porque nós querermos que um partido ganhe, mas simplesmente para tirar o partido atual do poder”.
Antes de fazer esta mudança radical, ela sugere que nos façamos as seguintes questões:
·         Qual meu principal propósito de vida
·         As coisas materiais importam para mim?
·         O que alcançarei ao fazer isto?
·         Tenho algum plano alternativo caso isto não funcione?

Você pode arcar com os custos do downshift?
O princípio básico é reduzir suas horas de trabalho junto com seu consumo, mas para muitos esta idéia é abstrata. A idéia se tornou tão popular que até companhias de serviços financeiros como a Prudential criou a "Downshift Calculator". Eles perguntam a seus clientes para avaliar, de 1 a 10, perguntas como:

·         Você tem as habilidades necessárias para trabalhar de forma autônoma facilmente?
·         Você tem algum compromisso financeiro que não te permita viver com uma renda baixa?
·         Você tem uma lista de idéias que você tenha de desistir para conseguir viver com uma nova realidade financeira?

Downshift por uma semana
Já que as perguntas sobre trabalho e vida podem ser intimidadoras – quando feitas todas de uma só vez – para aqueles que preferem dar um passo pequena, há a National Downshifting Week – semana nacional do Downshift. A organizadora Tracey Smith chama esta oportunidade de “mergulhar os dedos” no estilo de vida com um passo lento. O site do Downshiting Week oferece dicas de como “Reduzir a marcha e se meio-ambientizar”, e tem como alvo escolas, indivíduos e companhias.

Atividades para indivíduos incluem:

·         Agende um dia para trabalhar meio período no trabalho e passe o resto do dia com alguém que você ama.
·         Corte um cartão de crédito
·         Elimine 3 compras desnecessárias esta semana
·         Cozinhe uma refeição utilizando apenas ingredientes locais, preferencialmente orgânicos
·         Plante algo no jardim que você possa cultivar e comer
Atividades para companhias incluem:
·         Implementar sugestões para economizar a emissão de carbono do The Carbon Trust; com isso, fazer enormes economias para sua empresa e para o planeta..
·         Organizar e implementar um plano para compartilhamento de carros.
·         Contratar apenas empresas “amigas do meio ambiente”, suplementos de escritório e produtos mais limpos.

É simplesmente ir mais devagar

Apesar de poder significar grandes mudanças na vida de algumas pessoas, não há nada de realmente novo ou revolucionário sobre o downshitfting. É simplesmente uma mudança para uma simplificação de vida e, de alguma forma, outra face do movimento de Slow Movement.

Um dos defensores deste movimento, Carl Honoré, faz o link: “Hoje em dia, mais e mais pessoas compreendem que viver de forma tão acelerada, no final, não é nem viver... Mas, felizmente, há uma alternativa a esta vida que nos faz parecer o papa-léguas. É chamada downshifting. Pisar no freio é a melhor maneira de pedir sua vida de volta e se reconectar com as pessoas que você ama. O Downshifting pode te ajudar a comer, trabalhar e se divertir e a viver melhor.”

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