domingo, 16 de março de 2014

Viajar de Graça - Couchsurfing: tem um lugarzinho aí?

Campos de Lavanda na Provence - França
Já se perguntou porque pagamos tão caro por um hotel? Pagar de 100 a 10.000 reais apenas pelo direito de usar uma cama. Por algumas horas. Em Brasília, durante os jogos da Copa, as diárias estão girando em torno de 5.000 reais.

Para aqueles que são fanáticos por viajar, que o fazem com constância, o problema se torna ainda mais crítico. Será que é preciso ser rico para conhecer as coisas gratuitas que o mundo nos oferece?

Eis que surge então, em 2003, o Couchsurfing. A idéia é simples, como todas as idéias maravilhosas. Uma rede de pessoas que estão dispostas a oferecer em suas casas um sofá ou uma cama para pessoas que queiram conhecer aquela cidade. E de graça.

O Couchsurfing tem crescido tanto que, em 2013 já contava com 6 milhões de usuários.

Você se inscreve no site, faz o seu perfil (quanto mais informações colocar, mais os outros usuários confiarão em você), escolhe o lugar para onde quer ir. Ali, você vê as pessoas que oferecem vagas em suas casas e manda uma mensagem para a pessoa, dizendo porque quer se hospedar lá.

Sim, porque não é apenas a hospedagem. O barato do Couchsurfing é a troca de experiências. Ficar na casa de alguém que seja da sua tribo não só é legal por não pagar hotel, mas pela possibilidade riquíssima de troca de experiências.

Antes do concerto
Quando estava mochilando pela França, armei um Couchsurfing em Aix-En-Provence, uma cidade aos pés dos campos de lavanda, um dos lugares mais lindos do mundo. Cheguei na casa e conheci o Félix que, junto com a Lévana, são os dois estudantes universitários que se ofereceram para me receber.

Félix estava estudando seu contrabaixo. Quando terminou, me passou o violão que lá estava e começamos uma Jam Session. Depois chegou Lévana, estudante de letras, e ficamos os três até altas horas conversando sobre literatura.

No dia seguinte, depois de muito andar pela cidade, voltei para casa para tomar banho. Félix me convidou para assistí-lo num concerto em uma igreja numa cidadezinha perto dali. Fui, é claro!

O concerto foi magnífico, um tipo de música difícil de definir, mas muito boa. Depois, a flautista nos convidou para um jantar na casa dela. Uma casa provençal das mais bonitas que já vi na minha vida. Passamos horas sentados a uma mesa no jardim (aqueles jardins provençais com gramado incrível, com flores explodindo por todos os lados). Queijos e vinhos não paravam de chegar.

E, mesmo sem falar francês (somente meus anfitriões falavam inglês), foi uma das mais bonitas experiências da minha vida. Fiquei encantado e, ao falar em meu francês porco à dona da casa o quão grato estava, ela disse que aquilo era o que eles faziam todo final de semana.

O tipo de experiência que hotel nenhum do mundo pode trazer. Gratuita, mas que vale milhões. Real, verdadeira. É disso que se trata o Couchsurfing.

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